
A história da banda mineira Pato Fu com o Música de Bolso é, digamos, ancestral.
Quando as pessoas que agora fazem esse site se conheceram, a amizade foi curiosamente consolidada em torno de acalorados debates em mesas de bar, que iam dos "novos diretores independentes do cinema americano" ao "fulano de tal é ou não é uma farsa?".
E a música logo foi incorporada nessa troca de idéias, com mp3s voando em emails para lá e para cá. Parte de nós era MPB desde pequeno, outra parte era positivamente "indie", parte transitava. Assim, começamos a nos influenciar mutuamente.
E naquele mesmo mês, o Pato Fu lançou "Toda Cura Para Todo Mal".
A música deste álbum, cheia de pequenas experimentações, descontração, delicadezas, humor e belezas (ou "fofuras"), conciliou as diferenças e tornou-se uma favorita imediata daquele momento. E de muitos outros momentos que se seguiram.
Anos depois, quando expusemos para a gentileza infinita de Fernanda Takai e John Ulhoa a vontade de inaugurar o Música de Bolso com eles (e com os comparsas Xande, Lulu e Ricardo) e a resposta foi empolgantemente positiva, estava selada uma espécie de "união cósmica" das mais felizes.
E foi com imenso prazer que aguardamos as agendas se encontrarem e rumamos a Belo Horizonte para ouvir/ ver/ gravar, em primeira mão, duas músicas completamente inéditas, que só vão aparecer no próximo disco de estúdio da banda, "Daqui pro Futuro". A alegria íntima e a honra imensa daquele show para nossa câmera e nossos sentidos fazia-se notar na cara. As coisas estavam como deveriam ser.
"Mamã Papá" (Fernanda Takai/John Ulhoa/Rubinho Troll), o nosso LADO A (e não há aqui, na questão dos "lados", qualquer hierarquia), foi feita na Traquitana, uma loja de brinquedos artesanais cujos donos desenvolveram para a banda o Silício, um simpaticíssimo robô que canta a canção "Simplicidade" ao vivo na turnê de "Toda Cura Para Todo Mal".
Para "Vagalume" (Fernanda Takai/John Ulhoa), não foi preciso mais do que um amplo quintal e uma ambientação de "luzinhas", como pedia o espírito da canção, para que fôssemos testemunhas de uma bela seresta íntima.