
O essencial para começar a falar sobre Érika Machado é dizer que não nos conhecíamos e jamais havíamos nos falado antes, mas foram menos de 24 horas entre um telefonema interurbano atrapalhado, de São Paulo para Belo Horizonte, tentando explicar um projeto pra internet que misturava música e cinema, e nosso encontro em um restaurante da capital mineira, onde ela chegou tímida, trazendo consigo seu violão.
Érika mostrou ser assim: se a proposta pareceu interessante, está aceita, sem enrolação. Quieta e irrequieta, gentil e muito talentosa. Sua participação no Música de Bolso é um feliz encontro que, apesar de promovido pelo Pato Fu, parecia mesmo predisposto a acontecer. Sua personalidade delicada e cativante emoldura canções que soam como irresistíveis crônicas da vida mais corriqueira e mais indispensável.
Seu Lado A, a bordo de um pato, em um parque de diversões, é “Secador, Maçã e Lente” (Érika Machado/ Juliana Mafra), faixa de seu primeiro e aclamado álbum “No Cimento” (2006), produzido por John Ulhoa - trabalho que lhe valeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte como Artista Revelação do mesmo ano.
Para o Lado B, ela nos brindou com a breve e surpreendente “Robertinha” (Érika Machado). Mas vale avisar: nós do Musica de Bolso estamos há três meses cantando a canção, sem trégua. Cuidado, portanto, porque Érika Machado pode ser viciante.