
Segundo sua fã e parceira Zélia Duncan, Lucina tem voz de floresta. Mas também poderíamos incluir ali, nas camadas de seu timbre aconchegante, vários outros elementos: chuva, vento, beira de rio... Tanta natureza faz o maior sentido, já que estamos falando de uma artista que começou a fazer música seguindo à risca a cartilha hippie, vivendo em regime comunitário em uma chácara, construindo e tocando os próprios instrumentos.
Ao lado da cantora e compositora Luli, formou nos anos 70 a dupla Luli & Lucina, e fazia um som algo próximo do que era então chamado de rock rural. (Vale lembrar que "Casa no Campo", sucesso de Elis Regina, foi composta por Zé Rodrix no sítio de Luli & Lucina.) Precursoras, militaram pela música feita "às próprias custas" desde aquela década e lançaram discos memoráveis em esquema independente.
Toda essa falta de harmonia com as regras do grande mercado de música fizeram com que algumas das 800 e tantas canções compostas pela dupla alcançassem mais sucesso na voz de outros artistas do que nas das próprias autoras. Ney Matogrosso foi o "intérprete oficial", gravando mais de uma dezena delas, como "Me Rói", "Pedra de Rio", "Bandoleiro", "Bugre", Êta Nóis". A dupla terminou na beira dos anos 2000 e, de lá para cá, Lucina já produziu três discos sozinha - o mais recente, "Música em Mim", é do ano passado.
Para esta sua participação no Música de Bolso, Lucina reservou dois momentos inéditos. Do Lado A, sua versão de autora para "Eu Não Sou Eu", balada que até aqui só havia aparecido na voz de sua parceira Zélia Duncan. Para o Lado B, uma canção completamente inédita feita a quatro mãos com Sonia Prazeres uma semana antes deste vídeo ser gravado: "Tristeza".