
Catarinense radicado em Alagoas, Wado está na estrada desde meados dos anos 90. Em 2000, deixou de integrar sua banda original, a Santo Samba, e partiu em carreira solo. A adaptação foi rápida e, logo no ano seguinte, já estava gravado o primeiro fruto gerado dessa "solidão". Manifesto da Arte Periférica (2001) já esboçava, entre suas experimentações, o caminho bem pessoal que Wado trilharia dali pra frente à procura de sua própria batida perfeita. As faixas desse álbum, bem como as dos dois que se seguiram, Cinema Auditivo (2002) e A Farsa do Samba Nublado (2004), estão disponíveis para download gratuito no site do artista.
De passagem por São Paulo para expor seu caldeirão sonoro no evento “É Samba, Sim”, do SESC, Wado pôde finalmente aceitar o convite do Música de Bolso, que já estava feito há tempos. Acompanhado de sua banda, precisava de amplificação para apresentar “Tarja Preta/ Fafa” (Wado/Siri), o que nos fez recorrer apressadamente a aparelhos de som domésticos, no apartamento de um de nós. Para uma música que são duas em uma, este Lado A separa e junta Wado e os músicos, entre o banheiro, a cozinha e sala.
Na distância de poucos passos, mudamos completamente a ambientação e colocamos Wado sozinho na escada para executar a canção inédita “Mata Gente (Saudade)” (Wado/Rodrigo Sappo/Railton Sarmento e António Pereira de Moraes). O resultado é um momento de insuspeita beleza, entre o mármore frio e a luz do fim de tarde.