
Uma das bandas-filhas da matriarca Jumbo Elektro, o Cérebro Eletrônico estreou em disco em 2004. Lançado pela Recohead, “Onda Híbrida Ressonante” tinha como referência declarada o movimento tropicalista de Caetano Veloso e Gilberto Gil, e fazia questão de acentuar a importância do maestro Rogério Duprat nessa história toda.
Sua formação rouba parte considerável dos rapazes do Jumbo: Dudu Tsuda (também do Trash Pour 4), Isidoro Cobra, Gustavo Souza e Fernando Maranho — todos catalizados pelo multi-homem Tatá Aeroplano. “Pareço Moderno”, o segundo disco do Cérebro, está no forno e deve chegar às prateleiras ainda neste começo de ano. O Música de Bolso inaugura o ano dando uma prévia desse novo trabalho.
Como quase todo artista, deliberadamente ou não, acaba expondo sua personalidade na escolha dos locais em que gravamos, nada mais adequado a músicos tão ativos e diversificados do que o centro de São Paulo – um mundo em si mesmo, cheio de seus sons, movimentos e pessoas.
O Lado A, “Me Atirar na Orgia” (Tatá Aeroplano/ Adalberto Rabelo), foi registrado como mais uma das centenas de apresentações musicais de rua que acontecem diariamente nas calçadas da cidade, com a audiência espontânea dos transeuntes de ocasião.
O Lado B, “Pareço Moderno” (Tatá Aeroplano), incorpora um legítimo espirito “flâneur”, já que seus versos são entoados durante uma lenta e contemplativa caminhada. Para completar, fazendo coro ao espírito performático da banda, a grandiloquente presença do Theatro Municipal de São Paulo preenche a paisagem.