
Brasília confirma aqui sua tradição de berço de excelentes bandas e música inventiva. E se nos anos 80 muita gente estranhou quando grupos da cidade se batizaram com nomes como, por exemplo, Paralamas do Sucesso ou Capital Inicial, o que dizer agora, quando o mais interessante da cena local atualmente se chama Móveis Coloniais de Acaju?
Por trás do nome improvável estão nada menos do que dez cabeças. Em ordem alfabética, André Gonzáles (vocal), BC (guitarra), Beto Mejía (flauta transversal), Eduardo Borém (gaita cromática, escaleta e teclados), Esdras Nogueira (sax barítono), Fabio Pedroza (baixo), Leonardo Bursztyn (guitarra), Paulo Rogério (sax tenor), Renato Rojas (bateria) e Xande Bursztyn (trombone).
Produzido por Rafael Ramos (que acumula em seu currículo trabalhos com artistas tão díspares quanto Mamonas Assassinas e João Donato, Os Inocentes e Los Hermanos), Idem, o disco de estréia do Móveis lançado em 2005, deixou claríssimo que, mais que muita banda brasiliense famosa, eles já nasceram sabendo compor e tocar como gente grande. E, desde então, só fazem crescer.
Longamente ensaiado, o efetivo encontro entre a música inteligente e descontraída deles e a nossa câmera deu-se numa tarde chuvosa em São Paulo.
Aproveitando o grande número de integrantes, os Móveis transformaram o molejo de “Menina Moça”, nosso Lado A, em uma animada caravana, que vai se enchendo de alguns amigos e de transeuntes dispostos a entrar na brincadeira.
Para o Lado B, acampados no apartamento vazio de uma amiga, os músicos preencheram-no com a explosão de sons e a variedade de instrumentos de “Aluga-se-vende”, proporcionando a nós uma incomum visita ao imóvel, de porta a porta.
* A vinheta-surpresa "Boas Festas " (extras) foi apresentada originalmente na capa do Especial de Fim de Ano (2007) do Música de Bolso.