
Ela é Carmen Miranda, é Ney Matogrosso, é Elke Maravilha, é Bezerra da Silva, é Leila Diniz. Maria Alcina é tanta gente junta que se tornou uma figura única, indefinível e "incopiável". Quando surgiu em 1972, defendendo (e levando à vitória) o "Fio Maravilha" de Jorge Ben no VII Festival Internacional da Canção, não houve quem desse conta de classificá-la. Ela era um gênero, não um número. Andrógina e espalhafatosa, arrombou as portas da "família" brasileira para o fenômeno cultural/sexual que depois tomaria conta do país via Secos & Molhados.
Fechando três décadas e meia de carreira este ano, Maria Alcina estréia no Música de Bolso revisitando duas músicas marcantes em sua trajetória. Devidamente paramentada para nossa câmera, minutos antes de um show-homenagem do qual participaria, Alcina apresentou, para o Lado A, "Alô, Alô" (André Filho), samba lançado por Carmem Miranda e Mário Reis em 1934, que ela própria gravou, com muito êxito, em 1973.
O Lado B é "Kid Cavaquinho" (João Bosco/ Aldir Blanc), canção registrada em LP pela cantora em 1974 e que também tornou-se um de seus grandes sucessos. Para interpretá-la, acompanhada pelo violonista Junior Pita, Maria Alcina fez do pequeno balcão um palco, incorporando a performance cênica que é sua marca.
Para o Música de Bolso, tê-la em nossas páginas é não só um privilégio, mas também uma oportunidade de eternizar, em meios virtuais, pedaços marcantes da história da música brasileira.