
Fabiana Cozza é uma cantora para ser vista. Não que não tenha uma linda voz - tem sim, e sabe bem como usá-la. Mas é daquelas artistas que viram monstros quando sobem no palco. Atriz dos versos que canta, ela transforma qualquer canção em um longa-metragem, em uma peça em três atos.
Depois de passar pelo grupo Notícias dum Brasil, nos anos 90, inaugurou sua carreira solo em 2004 com o álbum O Samba É meu Dom, que já no título, emprestado dos versos de Paulo César Pinheiro (compostos para a melodia de Wilson das Neves), anunciava qual era a sua praia.
Confirmou a vocação sambista em 2007, quando botou na praça Quando o Céu Clarear. O disco contou com presença de Dona Ivone Lara, dividindo com Fabiana os vocais da deslumbrante "Doces Recordações". O aval não poderia ser mais confiável.
E é desse novo álbum as duas belas composições que ela e sua banda, composta pelos músicos Renato Epstein (violão), Emiliano (violão 7 cordas), Douglas Alonso (percussão), Felipe Roseno (Percussão) e Rodrigo Campos (Cavaquinho), nos apresentaram em uma manhã de sol.
O Lado A, Quando o Céu Clarear (Roque Ferreira), foi executado em perfeita troca de energia com a paisagem ao redor, com todos muito à vontade em cima da grama sobre a qual não se deveria pisar.
Para o Lado B, Xangô Te Xinga (Leandro Medina), um maltratado banco de praça fez-se palco de um íntimo espetáculo, enquanto cachorros, seus donos, e até um skatista tornaram-se platéia. Ouvindo e vendo Fabiana e os músicos em ação, ficou indiferente quem pôde.